sábado, 19 de setembro de 2009

Amores... Mais uma vez...

DEDICADO A MINHA PRIMUSCA TATIANA FERNANDES

Eu resolvi não fechar a porta.
Nada é tão certo como parece.
E um sentimento, longe de ser um cálculo matemático, enlouquece.
A verdade é que havia você por todos os lados –
no meu imaginário antes de pegar no sono,
atravessando a rua em outros corpos,
no fundo do copo pra ser meio brega –
coisa que o amor é de vez em quando ou sempre.
Havia você nas esquinas (sempre elas),
havia você a tardinha quando tudo dói um pouco mais –
e claro, havia você até naquilo eu supunha ser livre de você.
Vamos recapitular as velhas dores e quem sabe entender que elas não passaram de fome – da minha que grito e da sua- que finge não existir.
Vamos nos olhar no espelho – e de uma vez por todas: fatos são fatos, entende?
E até eu que vivo de palavras, tenho percebido que é assim e melhor assim.
Eu não dou conta de tanto desejo.
Eu não dou conta da liberdade.
Eu não dou conta da calma que você me pede.
Eu não dou conta dessa certeza entre um passo e outro
e de que basta saber que é amor –
sem mais.
Eu não dou conta de mim, tão sua, tão perdida as vezes e sempre tão longe.
O futuro incerto incomoda e pesa.
O passado incomoda e pesa.
O presente incomoda e pesa.
Qual o tempo de nós dois?
Quando e como?
Enquanto eu não me ouvia, havia uma esperança?
Quem entende a criança que eu me tornei depois de você ou esse caos?
Quem sabe fingir, nada compreende.
Quem sabe se eu blefasse,
quem sabe se eu me calasse,
quem sabe se eu caminhasse só um pouco mais...
Quem sabe sem você?!
Eu resolvi não fechar a porta,
mas eu não quero os velhos hábitos, o mesmo jogo,
um pouco de “morfina” pra enganar a dor.
Vamos combinar?
Eu não quero mais nenhuma dor que eu não possa suportar.
Tem um anjinho me dizendo que tudo passa e que tudo pode ser diferente.
Um anjinho me avisando que existem flores no caminho,
balões no ar e que o barco no porto, suporta o temporal.
Cansei de ficar na janela me explicando.
Ah, mas eu te amo!
Ah, nem tudo é o que parece!
Ah, ele não é vilão e eu a vítima.
Ah, isso cansa – cansa – cansa.
E tô jogando todo avesso pro inferno!
A porta está aberta.
Porque?
Num canto aqui e num quase pacto; nós sabemos porque!!

Tem uma mancha no coração.
Não respiro como antes, nem durmo.
Por onde eu vou me acompanha um pensamento sobre o que seria se não tivesse sido exatamente assim ou sobre quem eu seria se não tivesse acreditado tanto.
Existem dores por todo meu corpo.
Não há espaço onde eu permaneça parada e não há o que me chame atenção sem que por alguns minutos eu não pergunte "porque?"
Tem que haver leveza em algum lugar dentro de mim.
Tem que haver uma esperança qualquer capaz de vencer o meu "não acreditar mais em nada".
Nada seria melhor que a ação do tempo, mas o tempo quase não passa e levo comigo essa pressa de que o tempo passe, sem que eu me cobre ter mais alguma coisa a perder, ter sonhos.
Não esqueço.
São frases guardadas e elas voltam quando me surpreendo num sorriso ou na multidão.
É aquele momento que não posso mudar e que me desperta quando chega o sono.
E não durmo mais e parece eterno.
Me alimenta a incógnita -Nada será como antes / nenhuma pessoa será como antes?
Algo além do poder nosso de cada dia, ou de uma esperança me faria acreditar?
É isso que chamam ter fé?
Já usei todas as metáforas.
E cada lágrima me serviu de uma teoria onde a esperteza de alguns esmaga os anseios de outros.
Onde a prece não muda o fato, onde a sorte não muda o caminho e onde apenas um momento dilui todos os outros.
É ela que tem me empurrado e ampliado qualquer sentimento triste ou eufórico.
É ela que me conduz a um planeta pequeno, vazio, habitado pelos meus medos todos.
É ela que me faz tão pequena como qualquer outro, tão fraca como tantos e tão estranha como nunca.
E se há um lugar para onde depois ela siga, e se há um momento onde me sinta limpa de novo e livre – que me empurrem os Deuses- é lá que preciso estar.
O quanto antes.

Não deixamos que o futuro nos envolvesse, nem que algum bom momento soprasse sua vontade de voltar a ser -e voltar a nós.
O amor é sim a coisa importante do mundo, mas também é o que empurra ao poço de inquietações.
Porque tudo depende de uma equação entre o que você tem nas mãos e o que você sonhou ou entre o que o outro é e o que você desejaria que ele fosse.
Isso não é papo de quem está profundamente decepcionada com o amor.
Isso é papo de quem está profundamente decepcionada com a visão que sempre teve do amor e com as flores que sempre enfeitou em torno dele!
As flores murcharam e o amor?
O telefone não vai tocar, o milagre não vai acontecer, ninguém vai ceder em seus malditos pontos de vista, ninguém vai calar a insatisfação, ninguém vai confessar arrependimentos ou jurar não repetir os mesmos erros.
E como nos filmes, aquela pessoa não vai no meio do "nada" por encanto, descobrir que vocês devem ficar juntos e que se dane o resto do mundo.
De que adianta a longa espera?
O outro é de carne o osso, de uma imperfeição que não combina com a sua -mas há sempre um próximo que dança com você o mesmo ritmo, que compartilha dos mesmos valores – e cujos planos cruzam exatamente com o seus.
A sensação que se tem é a de que perdemos muito tempo esperando a mágica – uma salvação qualquer.
Enfeitamos um sentimento e fechamos os olhos para tudo que está ao alcance das mãos e talvez fosse a nossa sorte ou riqueza.
A verdade é uma merda, mas é a partir dela deixamos de ser tolos!
Vale a pena ignorá-la?
Já passou da hora de decidir!
Queremos a base sólida trazida por um amor da vida real ou os trancos e barrancos de um amor que na maioria das vezes só existe na nossa imaginação?
Não guardei meus medos e você não hesitou erguer o muro.
Depois de andar em circulos e promover o vazio, depois de perder a noção de espaço entre dois , depois de temer a fé e assumir em cada passo um compasso de desesperança até desesperar-
O que restou de nós?
Porque o amor não resiste a sorte, e sobretudo não resiste o contrário daquilo que pede pra ser – e acontecer.
Esse abismo, esse chão, esse já era, e o necessário encontro com a vida lá fora – até onde conseguimos chegar.
O seu limite e por fim, o meu.


Um comentário:

Unknown disse...

Sem palavras...você é o meu lado alegre e os meus pés no chão.