
Antes de dormir eu não me lembro das coisas grandes ou das coisas mais importantes.
O crucial não me atormenta, a decisão final não remói meus pensamentos.
São as entrelinhas que ainda me dão certa dose de tristeza. Algo bobo- como você escovando os dentes ou a sua mania de puxar papo com os garçons.
São os malditos detalhes. Sempre eles…
O café que você precisa tomar pra curar seu mau humor matinal, seu olhar de reprovação quando falo da novela, sua dúvida entre uma blusa azul ou uma vermelha, o jeito rápido como você gesticula enquanto conta uma passagem engraçada ou curiosa da sua vida.
Eu não penso mais em frases de impactos ou nas brigas onde ninguém saiu vencendo. Eu não contemplo mais aquilo que eu via como a “grandiosidade” disso tudo.
Eu sinto falta dos detalhes.
É de te ouvir dizendo que eu fico mais bonita quando eu to brava. É de lembrar que o seu sono vem de repente. É do seu entusiasmo provando algo que nunca comeu antes. É da crença que eu tinha quando você me dizia que tudo ia ficar bem.
Acabou o meu pesar pelas coisas que não vivemos ou a fossa gigantesca por uma situação mais abstrata que real. Quando em penso em nós dois, eu penso nos pedacinhos, na delicadeza de um instante , naquilo que pra você passou em vão.
A velocidade com que o tempo segue já não assusta. O infinito que nos separa já não me paralisa.
Praia com chuva, a cabeça no seu ombro durante o jantar, a sua voz dizendo qualquer coisa – e de uma intimidade preciosa que num texto eu não posso revelar.
Te vejo desenhar um coração e usar havaianas. Te ouço dizer que tenho mãos de menina e brincar de planejar o futuro.
Tenho saudade da palavra quase imperceptível, do movimento mais simples, de um gesto banal.
Perder ou fazer parte da sua memória descartável deixou de me assombrar. Agora me alimento dos detalhes. E também sei, que aos poucos, como o que era grande, um dia detalhes também viram pó.
Nenhum comentário:
Postar um comentário